domingo, 7 de maio de 2017

Domingo no Rio

Domingo dia de descanso, quando recuperamos a bateria.
O que fazer nessa cidade tão linda e tão conturbada?  Vamos ver...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Espelho dagua

Paraty

domingo, 20 de novembro de 2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Azul - revendo

Azul

Acordara sozinha com raios de luz que penetravam pela janela refletindo o azul da cortinas, estava calor e o sol forte anunciava que já era tarde, do lado da cama, no criado mudo, um pequeno pedaço de papel mostrava um bilhete.
Ficou pensando sem se mover, não se lembrava daquele papel, pensou no dia por vir e logo veio à mente uma sensação estranha.
Jamais procedera daquela forma, deixar que seu corpo a levasse sem medir as consequências, não sabia quem era aquele homem, nunca o tinha visto até aquele dia num simpósio onde ele era o palestrante, porém isso não importava, sentia-se atraída pela sua fala mansa, pelos seus gestos precisos, pelo seu corpo, do qual se via apenas parte do braço descoberto pela manga da camisa dobrada, disfarçando a fina penugem castanha que cobria sua pele clara que não chegando com ela a contrastar. Suas mãos eram como um suave prolongamento de seus braços que conduziam sua fala num gesticular envolvente. Seus movimentos irradiavam pura energia e o brilho de seus olhos misturavam calor e sedução junto do desassossego de suas pernas ao andar pela sala enquanto falava, não fixava o olhar que parecia procurar algo além das palavras que ouvia saírem de sua própria boca.
Tudo começou quando pensara em ir cumprimenta-lo após a palestra. Era tímida e isso fazia-lhe insegura, bloqueava suas ações mas não o seu desejo. Ao olhar aquele homem sentia-se arder, sua boca tornava-se seca e seu rosto quente, tentava caminhar e seus pés não se moviam, estava atordoada, tinha medo que todos a olhassem, que falassem dela, que percebessem sua aflição e isso a incomodava, olhava incessantemente para os lados dissimulando as atitudes. Correria esse risco? Temeu não ser notada, ser mais uma entre as dezenas de homens e mulheres que dele se aproximavam .
E se ele a desprezasse? Estaria preparada? Sua educação tinha sido repressora, em casa, escutava a mãe a dizer-lhe que não deveria expor seus sentimentos, nem se submeter as paixões, mas não se tratava disso, não eram seus sentimentos que estavam em jogo, já poderia se permitir viver aquela situação, porém,  e se não valesse a pena? Se sentiria fácil,volúvel e teria que carregar essa culpa, esse peso em sua consciência,o que nem o tempo poderia apagar. Entretanto, no íntimo, já havia decidido, se arriscaria, pelo menos dessa vez.
Foi, ele terminara a palestra e guardava suas coisas, quase todos já o tinham cumprimentado, ela cumprimentou-o e depois de convida-lo, saíram para um café que ficava a poucos metros da sala de conferência. Lá, o burburinho de vozes não deixava que um ouvisse o outro, melhor assim, ela estava nervosa, não sabia o que dizer, nem o que fazer, só sabia que estava agindo impulsivamente e nunca fizera aquilo antes. Sua voz que era suave estava trêmula, procurava não demonstrar sua ansiedade. Pediu um chocolate com whisque, nunca bebera, mas sabia que o álcool a relaxaria e daria segurança que precisava para ir adiante. Tomou o chocolate e o calor em sua boca já a fez sentir-se mais leve e estimulada. Sugeriu então um outro local. O homem olhou-a surpreso e ela corou, sentiu-se atrevida e a dúvida novamente se fez presente, pensava no que poderia acontecer, sabia que nem todas as pessoas entenderiam, quem a apoiaria? Oscilou entre retirar a proposta ou confirma- la, seus pensamentos se confundiam,sentia no sangue em suas veias um imenso calor. Teve vontade de se desnudar por inteiro, sem medos ou vergonha, vontade de dançar suavemente embalada pela canção que soava em sua mente excitada. Queria seduzir aquele homem por completo, fazendo com que ele lhe desse todo prazer que nunca sentira, continuou.
Saíram do bar, ganharam a rua, na noite quente e estrelada soprava uma brisa calma que vinha do mar e arrepiava todos os corpos numa mistura de frio e prazer, ela levou-o ao seu apartamento, mesmo lugar onde agora ela se encontrava pensando no que fora sua noite, no quanto havia sido afoita, e no grande prazer que sentira.
Sentou-se na cama e olhou no espelho que ficava em frente, pelo reflexo viu o bilhete de poucas linhas que estava ao lado, receou em pegá-lo. O que teria escrito? Não sabia como tinha se deixado levar. Lembrou então que seu desejo era incontrolável e que havia se abandonado a ele. Olhou outra vez para o espelho e agora fitou sua própria imagem nele refletida, não era feia, e a sensualidade transbordava de seu corpo de forma muito natural tornando-a bastante atraente, gostava disso,mas, nesse momento o que importava era o bilhete,não possuía coragem para ler o que estava escrito, talvez por medo.
Encheu-se de firmeza e tomou então o bilhete em uma das mãos, levou-o aos olhos e leu. Era um lembrete que ela mesma havia feito para não se esquecer da palestra que aconteceria naquele dia à noite.








domingo, 15 de dezembro de 2013

imagens substituem palavras????

Chega um tempo que parece que as palavras são substituídas por imagens perdidas, imagens da memória , do inconsciente, non sense. Talvez esteja chegando a hora de retornar, rever, verbalizar outra vez para não se perder a importância da linguagem.




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terça-feira, 26 de março de 2013

Elocubrando em torno da questão





“ Deus!, Oh deus! Onde estais que não responde!!!”, Em que lugar fui me enfiar desta vez. A cada dia um verso novo, que nada me diz e tudo me necessita dizer.
Quem fez este programa? Quem mistura a geografia com a escrita, o meu querido diário com a resenha técnica. A liberdade do ensaio com reconfigurações do tempo e do espaço. Minha vida transformar-se–a num drama e toda a torcida do flamengo, ali presente para compactuar sabe-se lá com o que, ou quem.
Quero o meu CPF, tem fronteira para a ficção? Tem ruptura para o gênero? Qual gênero? o híbrido que tá na moda, o clássico, o medieval, ou o do renascimento? Quem sabe me dizer?
Se ninguém sabe, eu mesmo sei. Jogam-me na cabeça uma gramática da narrativa, conto, romance, crônica, que mais, quem dá mais, falta o híbrido da questão. Quem fez isto? Cortem -lhe a cabeça, diria o coelho apressado, que corre da Alice.
Mas não termina aí, tem mais labirinto para eu me perder, tem mais arte, tem mais social, onde fica o museu, e a biblioteca? Para que eles servem em épocas de internet? não falaram que o senhor google é o sabe tudo da hora. Não contaram que técnica e poética, arte e reprodutibilidade, quer dizer que aquele cara morreu tentando fugir da Europa, enquanto Hitler matava todo mundo, que o cara acabou jogando sua aura no lixo, na lama, e quase que seus papeis acabam indo mesmo pra boca do lixo. Quem fez isto? Qual é a teoria do romance e do drama? Quem vai dessa vez decretar a crise de verso o fim do poema; Mallarmé, Agamben, francês ou italiano, “fois gras” ou macarrone afrancesado e vamos dançando,pois a subjetividade moderna e as práticas culturais são mesmo pra lá a Síria; não há Bashar al-Assad que de conta de tanta coisa, com tanto nome esquisito. Mas pra que esclarecer, se podemos complicar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

imagens II